Ginástica Intíma
É uma especialidade da fisioterapia que atua na prevenção e no tratamento conservador de disfunções urológicas, genitais e anorretais, promovendo o bem-estar físico, mental e social de homens e mulheres.
A reabilitação perineal causa alterações neuromusculares e metabólicas responsáveis pelo aumento da resposta reflexa, da força e resistência muscular, normalização do tônus, coordenação muscular e hipertrofia.
É uma área que se apresenta em grande ascensão, tendo como proposta terapêutica principal, a melhora da qualidade de vida. É indicado especialmente no pré e pós-parto, na menopausa ou mesmo na prática contínua de desportos de impacto.
Disfunções do Assoalho Pélvico
O assoalho pélvico é uma estrutura complexa que encerra a parte inferior da pelve e é formada por músculos, ossos, fáscias e ligamentos. É responsável pelas funções de manter o controle urinário e fecal, sexual, suportar órgãos pélvicos (bexiga, útero e reto), além da função obstétrica.
Quando a musculatura está enfraquecida ou lesionada de forma avançada, algumas disfunções podem se tornar um incómodo para o paciente.
As disfunções do assoalho pélvico (AP) estão ligados ao sistema urinário, defecatório, sexual, à sustentação e à dor. Essas queixas geralmente são acompanhadas por disfunções de mais de um desses sistemas.
Incontinência Urinária Feminina
A sociedade Internacional de Continência (ICS) define a incontinência urinária (IU) como qualquer perda involuntária de urina. Ela é caracterizada pela perda do controle vesical, acompanhada por sintomas e sinais relacionados ao armazenamento, micção ou pós-micção. Esses sintomas se originam de alterações ou frouxidão teciduais dos elementos de suporte uretral e dos ligamentos e músculos do assoalho pélvico.

Incontinência Urinária Masculina
A IU no homem resulta principalmente da extirpação da próstata. Estudos apontam que a maioria dos casos de IU em homens é decorrente da prostatectomia, sendo a prostatectomia radical (PR) a desencadeadora de 2-80% dos casos da disfunção. A PR é um procedimento cirúrgico, em sua maioria indicado para pacientes portadores de câncer de próstata, no qual, esse procedimento pode lesionar o esfíncter uretral e o nervo pudendo, como também levar a disfunção da bexiga.
Após cirurgia de PR, os sintomas podem surgir em decorrência de insuficiência esfincteriana, disfunção vesical, obstrução urinária e causas mistas.
Prolapsos dos Órgãos Pélvicos (POP)
Prolapso urogenital é um distúrbio provocado pela perda de sustentação de órgãos que constituem o assoalho pélvico.
Recebem denominações próprias conforme o órgão que se deslocou: cistocele (bexiga), uretrocele (uretra), uterino (útero), eritrocele (vagina), enterocele (intestino) e retocele (reto).
Entre as causas estão a gravidez e partos múltiplos, obesidade, envelhecimento e alterações hormonais. A prevalência é alta, pode aparecer em todas as faixas etárias, mas mulheres multíparas a partir de 60 anos correm mais risco de desenvolver.

Disfunções sexuais femininas
Segundo o terceiro International Consultation on Sexual Dysfuntion, Paris, 2010, as disfunções sexuais são:
- Disfunções do desejo: diminuição ou ausência de desejo sexual, fantasia sexual ou pensamento sexual.
- Excitação persistente: resposta genital indesejada na ausência de desejo.
- Disfunção do orgasmo: diminuição ou ausência de orgasmos, diminuição da intensidade dos orgasmos, dificuldade em atingir o orgasmo.
- Dispareunia: dor ou desconforto persistente ou recorrente durante a penetração vaginal.
Algias pélvicas
É uma dor recorrente e persistente na pelve: fossas ilíacas, vagina, segmento anorretal, região lombossacra e região periumbilical.
Incontinência Anal
A incontinência anal é carateriazada pela incapacidade de controlar a eliminação do conteúdo intestinal pelo ânus. O principal sintoma desta condição é o Soiling (escape de fezes) mesmo que em pequenas quantidades, além da perda involuntária de gases.
Uma das principais causas de incontinência anal é um mal funcionamento da musculatura do assoalho pélvico.
Tratamentos
O tratamento conservador para as patologias do assoalho pélvico pode ser qualquer um, desde que não envolva medicamentos ou cirurgia. Os principais são a mudança do estilo de vida e fisioterapia. Esses tratamentos geralmente são de baixo custo, baixo risco de efeitos adversos e não prejudicam os tratamentos subsequentes.
De acordo com a international Continence Society (ICS), a fisioterapia é indicada como tratamento inicial para as disfunções do assoalho pélvico, é também indicado para a prevenção dessas patologias.
É essencial para o sucesso do tratamento que o paciente esteja motivado, e o paciente deve estar ciente de que para se manter as alterações conseguidas com a reabilitação perineal é preciso fazer os exercícios regularmente e dar continuidade ao treino após o fim do tratamento.
Reabilitação Perineal na Incontinência Urinária
A reabilitação e mudanças de estilo de vida devem ser a primeira opção de tratamento. Utilizamos técnicas que aumentam a força, a resistência muscular, o reflexo, e normalize o tônus da musculatura do períneo. Treinamos a contração aos esforços.
Para a IUU, adicionamos técnicas que podem inibir a contração da bexiga, tais como correntes elétricas inibitórias e a contração da musculatura do períneo para inibir o sistema nervoso.
A IU causada pela prostatectomia pode ser tratada com a reabilitação perineal visto que é consequência de uma lesão nervosa periférica sendo utilizada as mesmas técnicas que são utilizadas nas outras patologias, a diferença é que utiliza-se uma sonda anal.
Reabilitação Perineal nos Prolapsos Genitais
As mulheres com prolapso têm menor força de contração da musculatura do períneo e uma maior abertura do hiato genital. A reabilitação perineal pode ser eficaz quando o prlapso está em sua fase inicial, ou pode ser um complemento ao tratamento cirúrgico, tanto no pré quanto no pós-operatório.
A reabilitação para o tratamento de prolapsos visa o aumento da força, da resistência, do reflexo e da normalização do tônus da musculatura do períneo, treinamos a contração aos esforços e recomendamos que o períneo sempre tenha uma contração para poder cumprir sua função de sustentação sem sobregarregar os ligamentos.
Reabilitação Perineal no Pós Parto
Tanto as mulhres que fizeram cesariana quanto as que fizeram parto normal devem fazer a reabilitação perineal. As mudanças hormonais e biomecânicas da gravidez, e não apenas o parto normal, são uma das causas das disfunções de assoalho pélvico.
Deve-se avaliar a cicatriz da episiotomia, da laceração ou da cesariana, para uma melhora do processo cicatricial e para liberar fibrose.
Também é muito importante quetionar-se sobre a sexualidade e verificar a presença de dispareunia. Nesse caso é preciso treinar o alongamento e relaxamento.
Reabilitação Perineal nas Disfunções Sexuais
As disfunções sexuais podem ter origem orgânica, psicológica ou física. É imprescindível que se trabalhe em uma equipe multidisciplinar. A fisioterapia é responsável pelo tratamento das causas físicas dessas disfunções.
O aumento da percepção perineal e corporal é a base do tratamento para as disfunções sexuais. O controle sobre esses músculos melhora a qualidade de vida sexual e torna a relação sexual um ato mais prazeroso.
Recursos da Ginástica Íntima
O Biofeedback é um aparelho mais moderno disponível na fisioterapia pélvica. Através dele o paciente pode visualizar a contração/relaxamento do assoalho pélvico.
É um dos métodos utilizados na prática clínica para treinar os músculos do períneo, mostrando ao paciente através de sinais visuais e / ou sons o grupo de músculos a ser trabalhado.
Visa o trabalho muscular com participação ativa do paciente, permitindo ao mesmo informação sobre contração e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, possibilitando o auto controle dessa musculatura, sendo indicado como estratégia importante para o tratamento de disfunções urogenitais, pois favorece o controle de fechamento dos músculos do assoalho pélvico.
Técnica que utiliza correntes elétricas de baixa frequência para produzir estímulos específicos em nervos e músculos produzindo como resultado a contração muscular.
Promove a conscientização ou o reforço muscular, como também o equilíbrio de uma função coordenada pelo sistema nervoso atuando nos sintomas de urgência miccional, urge-incontinência e alívio de quadro álgico.
A cinesioterapia do assoalho pélvico se baseia no princípio de que contrações voluntárias repetitivas aumentam a força muscular e consequentemente, aumentam também a continência pela ativação da atividade do esfíncter uretral e pela promoção de um melhor suporte do colo vesical, estimulando contrações reflexas desses músculos durante as atividades diárias que geram estresse.
Esta pode ser realizada através da contração e relaxamento do assoalho pélvico de forma isolada ou em conjunto com outros acessórios.
A utilização de acessórios tem como objetivo facilitar a conscientização corporal, liberação miofascial, percepção e relaxamento muscular.
Um cone vaginal é um dispositivo que se pode inserir na vagina para fornecer resistência e feedback sensorial aos músculos do assoalho pélvico à medida que eles se contraem.
É muito útil pois pode eliminar a Valsalva durante o treinamento.
Essa terapia pode ainda distinguir os músculos perineais dos grandes grupos musculares sinérgicos, aumentando a propriocepção da região do períneo.
A massagem perineal tem o objetivo de promover o relaxamento e alongamento muscular. É indicada no pré parto para dar mais elasticidade à musculatura do períneo e facilitar o parto e também pode ser utilizada nos casos de contratura da musculatura, trigger points ou dificuldade de relaxamento.
A massagem cicatricial é muito útil no pós parto ou no pós operatório para melhorar o processo cicatricial e prevenir o aparecimento de fibrose. Nos casos em que há fibrose, é possível tratá-la com bons resultados.
Visa a aplicação de técnicas para tratar alterações músculo esqueléticas através de recursos manuais tanto para o relaxamento muscular quanto para fortalecimento.
É um conjunto de técnicas e orientações visando atuar nos hábitos diários que atuam negativamente na disfunção pélvica.

