• O que é Melasma ou Cloasma?

    O melasma, também chamado de cloasma, é uma manifestação caracterizada por manchas escuras na face. O seu surgimento geralmente está relacionado à gravidez ou ao uso de anticoncepcionais hormonais (pílula) e tem como fator desencadeante a exposição da pele ao sol. Quando estas manchas ocorrem durante a gravidez, recebem a denominação de cloasma gravídico.

    A doença aparece principalmente nas mulheres, mas também pode acometer os homens. Além dos fatores hormonais e da exposição solar, a tendência genética e características raciais também influenciam o surgimento do melasma.

    • O que ocorre na pele levando o surgimento dessas manchas?

    O que ocorre é que os melanócitos (células da pele responsáveis pela produção de melanina, substância que dá a cor da pele) das áreas manchadas começam a trabalhar exageradamente sob estímulos normais, produzindo melanina em excesso, causando escurecimento localizado da pele.

    Esse pigmento em excesso pode se localizar na epiderme (camada mais superficial da pele), na derme (camada mais profunda da pele) ou em ambas, determinado o melasma epidérmico, dérmico ou misto, respetivamente. Essa classificação é útil pois ajuda o médico prever o grau de sucesso do tratamento, já que quanto mais profundo o pigmento, mais difícil é alcançá-lo.

    Além da classificação quanto à profundidade, o melasma facial costuma seguir padrões específicos, fazendo com que ele também possa ser classificado em:

    – Melasma centrofacial: quando envolve testa, bochechas, nariz, lábio superior e queixo.

    – Melasma malar: quando envolve bochechas e nariz.

    – Melasma mandibular: quando envolve áreas ao redor da mandíbula.

    • Qual é o tratamento de Melasma?

    Não há cura para o melasma, ou seja, não há nada que faça as manchas desaparecerem para sempre. A boa notícia é que é possível clareá-las bastante (80 a 90%) tornando-as quase que impercetíveis, dependendo de cada caso, se a proteção solar for adequada, dificilmente elas voltarão.

    Para entendermos como funciona o tratamento do melasma, precisamos saber como a melanina é produzida.

    Numa pele normal, podemos imaginar que os melanócitos são as máquinas de uma fábrica que produz pigmento. Para funcionar, essas máquinas precisam de combustível (sol) e, quando pronto, o produto final (melanina) é armazenado no estoque (camadas mais superficiais da pele: epiderme e derme). Os hormônios funcionam como o óleo que lubrifica as máquinas (sem ele, as máquinas podem não funcionar perfeitamente).

    Acontece que, no melasma, essas máquinas se tornam muito eficazes e econômicas, ou seja, com uma quantidade mínima de combustível, passam a produzir quantidades enormes de melanina, que acabam se acumulando e ocupando todo o estoque.

    Assim, o tratamento do melasma se baseia em:

    (1) Cortar o combustível dessas máquinas (proteção solar),

    (2) Tentar “sabotar” essas máquinas tornando-as mais lentas (uso de cremes e loções despigmentantes),

    (3) Esvaziar o estoque (tratamentos feitos em consultórios dermatológicos, como peelings e lasers) e

    (4) Eliminar o uso de hormônios, quanto possível.

    A proteção solar não se limita ao uso de protetores solares, apesar deles serem fundamentais. É importante saber que NENHUM protetor solar protege 100% da radiação solar e que pessoas com melasma conseguem escurecer suas manchas com uma quantidade mínima de sol. Daí a importância de se usar chapéus e barracas de sol, cobrindo totalmente as áreas afetadas.

    Muitas são as substâncias que ajudam a clarear a pele. Elas geralmente agem inibindo uma ou mais etapas das reações químicas que ocorrem dentro do melanócito e resultam na formação da melanina. As mais comuns são hidroquinona, ácido retinóico e ácido azelaico – esses e outros princípios ativos podem ser usados em cremes, géis e loções para uso domiciliar. Dessa maneira, dificulta-se a formação de novo pigmento.

    Para eliminar as manchas, deve-se realizar procedimentos que eliminem as camadas da pele impregnadas pelo excesso de melanina. Para tal, pode se utilizar peelings químicos, microdermoabrasão, e, raramente, fontes de luz intensa pulsada e lasers. Esses procedimentos devem ser feitos em várias sessões, sempre evitando agredir demais a pele pois procedimentos agressivos podem causar inflamação excessiva da pele, gerando novas manchas. Infelizmente, quando o pigmento é muito profundo, esses procedimentos não são capazes de alcançá-lo.

    Por fim, as portadoras de melasma devem preferir os anticoncepcionais não hormonais, como o DIU de cobre e os métodos de barreira. Além disso, mulheres grávidas e todos que começam a usar hormônios devem intensificar a proteção solar diária, prevenindo, assim, o início do problema.

  1. Quando não for bem indicado ou não forem tomados os devidos cuidados, os tratamentos das manchas podem não surtir efeito ou, eventualmente até piorar as manchas.
  2. O melasma é considerado uma doença crônica, com períodos de melhora e períodos de piora. No entanto, na maioria dos casos a expectativa é boa. Por se desenvolver de forma lenta, você deve ter paciência, pois o clareamento também tende a ser lento. Busque sempre a estabilização dos benefícios já alcançados. E tome muito cuidado com soluções milagrosas, que prometam cura total ou sem riscos nenhum.

Dra Raquel Fernandes

Médica Dermatologista

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